O Outono já começou há umas semanas. Um Outubro cheio de sol que se esqueceu do caminho de regresso de volta. Um sol imenso que nos brinda com tardes brilhantes, calmas e cheias de novos aromas e sabores.
O melhor das férias é descansar. Ouvir melhor, saborear melhor, sentir com tempo. Nas férias sinto que o tempo passa mais devagar. Voltámos à praia do Carvalhal, Brejão é mais uma vila que me pertence de tão pequena e simples. Apenas sinto vontade de ficar ali e descobrir todos os caminhos, todos os sons até chegar ao silêncio. Às vezes as noites são mais luminosas. Às vezes a tristeza desaparece. Às vezes eu amo-te, às vezes encontro-te... Um momento para recordar antes de escurecer.
E amanhã as férias continuam, desta vez a norte, desta vez para o interior, serão apenas alguns dias que vão passar tão rápido como um piscar de olhos. Até já!
Existe uma rua que percorro todos os dias. Sózinha, longa, sossegada.
Uma rua sem casas uma rua à espera de mim. Rosa, de tão floridas que estão as árvores, ramos cheios de botões perfumados, cheios de amor.
E espera deserta, amontoando as pétalas no chão para eu passar sózinha.
Passo rápido com medo de me perder e ninguém me encontrar no silêncio do caminho...
Passo rápido para não te encontrar...
E são momentos como este, que me fortalecem, me inspiram e iluminam. Que me ajudam a sorrir, que me fazem sonhar. Que me enchem o coração de esperança.
Estás cada dia mais rapazote cresces sem hesitar em sonhar e desejar.
Perco-me atrás dos teus sonhos encontras-me e sorris...
Enches-me o coração de ternura, enches-me a vida de felicidade e alegrias.
Falas sem parar, falas a cantar. Desenhas a falar e lês... como se conhecesses as palavras, as histórias dos outros, um dia vou ler as tuas aventuras e continuar a sorrir.
Enches os nossos dias de esperança, Que sejas sempre um menino feliz!
À beira do Coração escrevo todas as palavras, acordo a solidão e o medo de me perder na multidão.
Também riu e grito de felicidade sem palavras e espero a despedida com um beijo na mão numa manhã quente de verão.
À beira do Coração ninguém repara no meu silêncio...